| SIGNIFICADO - A música Portuguesa se gostasse dela própria |
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| Escrito por Tiago Pereira | |||
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Trailer - SIGNIFICADO - a música portuguesa se gostasse dela própria de Tiago Pereira
A propósito de quarto irmãos músicos, fundadores da Associação Cultural d’Orfeu localizada em Águeda, constrói-se uma génese da música tradicional portuguesa para em seguida se alargar a outros contextos e colocar-se a seguinte pergunta: como seria a música portuguesa se gostasse dela própria?
O titulo provisório do novo documentário de Tiago Pereira foi "Contexto e significado - a música portuguesa se gostasse dela própria -" durante algumas semanas. Com o aproximar da data de conclusão acontece a metamorfose para "Significado - a música portuguesa se gostasse dela própria". Mas as imagens contam também uma outra história, ensinam um outro processo essencial na cultura que se cria, o de contemporanização da cultura de raíz tradicional. Partimos neste avião d'Orfeu em classe de luxo, recebendo uma demonstração de contexto em que vários nomes da cultura tradicional [Júlio Pereira, Victor Rua, Carlos Guerreiro entre outros] nos trazem os traços essenciais do fazer música trad em Portugal. Uma demonstração cheia de saber, de vontade e paixão que nos cativa o olhar levando para bem longe do mundo lá fora. Com a dinâmica própria do video do Tiago Pereira, recebemos as boas vindas a bordo [para já apenas em Português, mas traduzido em breve]. Tendo a bagagem essencial, contextualizados os problemas de interpretar e criar tradição, é a vez da história da d'Orfeu ganhar a atenção dos holofotes. O percurso dos quatro irmãos é trazido em contexto com a realidade de um país a re-descobrir as suas raízes. Descobrimos a improvisação do Bitocas, a mestria do Rogério Fernandes, a irreverência do Luís Fernandes e a exploração sonora do Artur Fernandes. Ouvimos intervenientes nessa história, percebemos de onde veio esta obra, quem inspirou, ensinou e acarinhou as raízes da casa. Nesta travessia de história somos então convidados a entender o processo essencial que marca a identidade da d'Orfeu enquanto fazedor de cultura: a contemporanização das coisas da tradição. A sobreposição de melodia tradicional com melodia contemporânea, o explorar do instrumento abandonado no preconceito, a recolha e a descoberta, a captação de novo público.
"Isto é a descontrução na plenitude de uma cantiga, que não deixa de ser reconhecível, e isso é muito importante para os públicos que a conhecem, que a cantaram, que a ouviram pelas avozinhas, mas [ainda mais importante]... para novas pessoas começarem a cantar" Luís Fernandes
Sem que as datas sejam sequer ditas, sem que a sequência de eventos seja focada, nasce-nos a imensa obra cultural em Águeda ao som da contemporeneiadade de melodias antigas, de formas inovadoras de ouvir e cantar. A partir de agora este "Significado" será visto e interpretado. Daqui a 2 meses verá a sua estreia oficial e novos voos se lhe colocarão. Há já quem tenha proposto que seja levado como documento essencial a escolas e bibliotecas. Há quem nele veja uma forma de quebrar perconceitos, de estilhaçar redomas de ideias antigas. Seria também "Contexto e contemporanização" um titulo justo para esta obra? É também o título que nos deixa o desafio de aprender a música portuguesa, de gostar de nós. No título vive um "se", que remete para o condicional. Mas estamos certos que este condicional desaparecerá pouco a pouco, passo a passo, com obras como a do realizador e do realizado. Porque se vão quebrando preconceitos, criando obra, afirmando um ponto de vista fundamentado temos a certeza que em breve escreveremos "a música portuguesa e como ela [e outros] gosta dela própria" Comentarios (0)
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